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terça-feira, 2 de junho de 2009

Proteínas para os pobres

Como a maioria dos habitantes das terras altas das Filipinas, os indígenas Higaonon, do povoado de Sumilao, vivem na indigência. Um projeto de “maricultura” promete melhorar suas vidas. Em Sumilao não há trabalho. A tribo vive às duras penas com a agricultura de subsistência, principalmente cultivando raízes. Apesar de ser uma comunidade agrícola, sua dieta carece de equilíbrio, pois devem prescindir de grande quantidade de alimentos. Praticamente não têm acesso a pescado e carne, exceto por animais sacrificados por razões religiosas, que não são adequados ao consumo humano. Supõe-se que devem ser eliminados, mas comerciantes inescrupulosos os vendem barato.
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Milhões dos filipinos que vivem nas terras altas, muitos deles indígenas, sofrem desnutrição. Estão abandonados pelo Estado. Sofrem a falta de desenvolvimento de suas comunidades. Carecem de acesso a alimentos seguros e baratos. Nutricionistas e especialistas em educação afirmam que seu desenvolvimento mental é afetado devido à falta de proteínas. Entre as crianças, o coeficiente de inteligência é menor do que no resto da população. A assistência escolar é baixa e têm dificuldade de concentração. São propensos a repetir de ano e abandonar a escola, disse o Departamento de Educação.

“Nas Filipinas o pescado é abundante e constitui a fonte mais barata de proteínas, graças aos avanços em aquicultura, especialmente na criação de tilápia (genero Oreochromis)”, disse o ambientalista Aquilino Alvarez, especialista na matéria. Mas o pescado raramente chega à mesa das famílias das terras altas, pois seus moradores estão longe domar. “De fato, vários membros da tribo afirmam não conhecer o mar”, disse Marie Ann Baula, prefeita de Sumilao, na província de Bukidnon, na ilha de Mindanao. “A distância aumenta em 50% o preço do pescado nas terras altas”, disse.

Em uma estratégia inovadora, o Escritório de Recursos Pesqueiros e Aquáticos (BFAR) apresentou um projeto que abordará as necessidades protéicas dos habitantes das terras altas, ao mesmo tempo que combaterá a pobreza por meio da criação de peixes. O projeto, chamado Pescado para os Habitantes das Terras Altas, ou Fish FUD, agora é submetido a teste-piloto na comunidade dos higaonons, uma das tribos mais populosas de Mindanao. Entre 300 e 400 famílias se beneficiarão inicialmente desse programa-piloto. “FishFUD é um bom projeto para os pobres”, disse o diretor do BFAR, Malcolm Sarmiento. “Melhorará o acesso aos alimentos e também lhes proporcionará uma renda. É o primeiro grande investimento para uma comunidade indígena no país, e os aproximará das maravilhas da moderna tecnologia de aquicultura”, acrescentou.

Segundo Alvarez, “também é a maneira que o governo tem de abordar três problemas graves nesses assentamentos: insuficiência alimentar, inadequadas oportunidades de sustento e falta de incentivos econômicos para administrar sustentavelmente os recursos florestais”.

Estratégia dual

O projeto tem duas pontas: uma nas terras baixas e outra nas terras altas, o que aumenta suas chances de sucesso. No primeiro caso, o BFAR deu aos HIgaonons, através do Conselho Tribal de Sumilao, uma jaula pesqueira flutuante de 10 metros de lado, que pode render até sete toneladas de sábalo (Chanos chanos) a cada três meses. A jaula fica em uma parte de maricultura – criação de peixes em oceano aberto – de 200 hectares, a cerca de 40 quilômetros de Sumilao. O BFAR também doou 15 mil peixes jovens, entregues pessoalmente pela presidente das Filipinas, Gloria Macapagal Arroyo, no dia 20 de março em Balingasag. A Corporação San Miguel, maior firma de alimentos e bebidas do sudeste da Ásia, forneceu o alimento para os peixes.

A organização não-governamental Iniciativas Marítimas e Terrestres da Ásia Oriental e dois grupos que promovem empresas sociais, Sopa do Dia e Emrpesa Social Lumad Mindanao, se ofereceram voluntariamente para ajudar os beneficiários da tribo a manejar de maneira rentável o projeto. O outro componente é um tanque comunitário que será instalado nas terras altas abastecido com tilápias ou bagres. Como parte da estratégia se ensinará aos participantes a processar o pescado seco ou defumado, pois com esse valor agregado obterão melhores preços. A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) também está entusiasmada com a iniciativa. O Instituto Samdhana, vinculado a esta instituição, financia o treinamento, informou Alvarez. Mas, no momento, somente está operacional o componente de maricultura do projeto.

Resposta à mudança climática

A BFAR também promove a maricultura para incentivar os pescadores a criar, mais do que apenas pescar, atividade que está esgotando as reservas marinhas. O parque de maricultura basicamente se parece com um parque industrial, salvo pelo fato de ali se criar peixes no mar. Atualmente, nas Filipinas há 34 parques marícolas. O maior é o da cidade de Panabo, com 500 hectares. Sarmiento considera que a maricultura é uma boa estratégia de adaptação à mudança climática. Também destacou que é amigável com o meio ambiente, pois permite a criação de peixes sem te de cortar um só mangue.

Para os investidores, é muito mais barata do que os tanques, já que uma jaula de aço de 10 metros de lado usada para o mar custará entre US$ 3.167 e US$ 4.233, comparada com US$ 21.116 por hectare de tanque. As jaulas de bambu são ainda mais baratas: custam apenas US$ 1.900 cada uma. E o melhor é que uma jaula de 10 metros de lado pode render de sete a oito toneladas a cada três meses, em comparação com as apenas 2,5 toneladas que podem ser obtidas em um tanque de um hectare a cada quatro meses. Com a maricultura, em menos de um ano se pode recuperar facilmente os investimentos nos animais.

Frequentemente, a direção do projeto opta pelo sábalo por razões de disponibilidade. Mas, os mais apreciados são os lapu-lapus ou meros (Epinephelus marginatus) e robalos (Dicentrarchus labrax). O produto final é vendido, principalmente, em cidades próximas, como Cagayan de Oro, Davao e Cebu. Sarmiento não deu importância aos temores de que a maricultura possa causar problemas ambientais. Disse que, com controle contínuo, a prática é realmente sustentável. Os higaonons, por sua vez, dizem que é uma experiência enriquecedora. Antes da chegada dos conquistadores espanhóis, esta comunidade vivia ao longo da costa. Mas os colonizadores os obrigaram a lentamente se deslocarem para áreas mais distantes. Por isso buscaram segurança nas terras altas. O processo levou à sua completa marginalização. Alvarez acredita que, para os higaonons, “este projeto é como voltar às suas raízes e corrigir a injustiça que sofreram durante séculos”. IPS/Envolverde

(Por Joel D. Adriano, da IPS - Envolverde/IPS) .

Um comentário:

Professor Delamare disse...

Uma matéria muito interessante. Realmente a ausência de proteinas acarreta uma série de problemas e a inteligência fica comprometida. Mas o que fazer para que este povo tão sofrido tenha o acesso aos alimentos ricos em proteinas?

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